Chapada Diamantina

13 12 2020

Se me pedissem para montar uma lista curta de lugares imperdíveis para se conhecer no Brasil, certamente a Chapada Diamantina, na região de Lençóis, na Bahia, teria seu lugar garantido. Fiz no Carnaval de 2013 a Travessia do Vale do Paty, onde você literalmente atravessa o vale, pernoita na casa dos moradores do Parque Nacional. Casas simples, na época a maior parte delas não tinha nem energia elétrica. Um total de 90 km de caminhada ao longo da semana. Contratei para o passeio a Terra Chapada Expedições, agência pioneira do ecoturismo na região. Tentei convencer alguém a me acompanhar, mas como não consegui, acabei fechando o pacote sozinho. Teria um guia e um carregador para me acompanhar durante todo o percurso.

Região das mais bonitas do Brasil

O roteiro incluía 8 dias e 7 noites, 4 delas dentro do parque nacional. Fui de avião para Salvador, de lá peguei um ônibus para Lençóis, mas desci na cidade de Palmeiras. Lá um carro da agência estava esperando para me levar ao povoado do Guiné, onde passaria a primeira noite. Dia de viagem comprida, mais de 400 km de ônibus. Chegando lá, ainda mais um bom tempinho de carro até o Guiné.

No dia seguinte, fomos para a trilha logo após o café da manhã. Dia de entrada no parque, bastante descida e bastante calor, passando pelos belíssimos Gerais do Rio Preto, lanche com vista privilegiada do vale. Ao final da tarde, chegamos à casa do Sr. Wilson para jantar e o primeiro pernoite.

Casa do Sr Wilson, a única que tinha geladeira com cerveja gelada dentro do parque
Mochila e minha cama na casa do Sr Wilson

O que mais chama atenção na Chapada são os paredões de pedra, que me lembram bastante o Grand Canyon (que eu só vim a conhecer naquele mesmo ano, mas em julho) nos Estados Unidos, mas com muito mais verde. Portanto, menos seco e – na minha opinião – mais bonito também.

Vista do quintal do Sr Wilson no final da tarde

No segundo dia, logo após o café já fomos visitar as cachoeiras do Funil e do Lajedo, fizemos o lanche por lá, e depois fomos fazer a “escalaminhada” ao Morro do Castelo, onde há uma gruta para atravessarmos e dá uma vista impressionante do vale.

Banho na cachoeira do Lajedo
Gruta na subida do Monte Castelo
Vista do alto do Monte Castelo
Vista do alto do Monte Castelo – com minhas botas

Após a descida e subida do Morro do Castelo, fomos para a casa da Dona Lê, onde jantei e passei a segunda noite. No terceiro dia, muita caminhada, muitas vistas bonitas ao longo do Vale, e chegamos no final do dia à casa do Sr Jóia, para jantar e pernoite.

Caminhando e atravessando riachos
Média de mais de 14km por dia de caminhada
Paredões são vistos por todos os lados, ao longo da mata
Vista da janela do quarto, na casa do Sr Jóia

Dia seguinte inteiramente dedicado à caminhada ao Cachoeirão por baixo. Mais de 300 metros de cachoeira, com um poço para um banho revigorante, lanche no local, e depois de um bom tempo de contemplação, reinicia a caminhada para jantar na casa do Sr Eduardo, e pernoite na casa de Dona Linda, na minha última noite no parque.

Poço do Cachoeirão
Uma das fotos mais bonitas que tirei por lá
Muito verde e muita água, por todo o caminho
As cores vão mudando ao longo do dia, vários tons de dourado
Dias e dias caminhando, totalmente desconectado do mundo exterior

No último dia de caminhada por dentro do parque, era dia de sair do vale e subir em direção a Andaraí, no lado oposto por onde havíamos entrado quatro dias antes. Foi o dia em que o tempo ficou mais fechado, uma leve névoa de despedida que acabou proporcionando uma visão diferente do vale. Sem nenhum pingo de chuva, apenas aquela umidade abafada.

Uma última olhada antes da saída para Andaraí

Depois de vários dias caminhando longe da civilização, fiquei em Andaraí esperando meu transporte para o Vale do Capão, uma vila fora do parque, com pousadas, restaurante, banho quente, essas facilidades da vida moderna. Quando meu transporte chegou, perguntei por brincadeira se algo de muito diferente havia acontecido no mundo naqueles dias que eu não tinha ficado sabendo. A resposta foi: “O Papa renunciou!”. Fiquei espantado, nem sabia que Papa renunciava… rs E realmente fiquei sabendo da notícia com uns dias de atraso, lá no Vale as novidades demoram a chegar…

A noite no Vale do Capão foi bem agradável, se um dia voltar pra lá vou ver se me programo para ficar por ali uns dias, vila simpática, pequena e bem arrumadinha. No dia seguinte, ainda tinha no pacote uma trilha para a famosa Cachoeira da Fumaça, com 380 metros de altura, para tirar uma foto lá de cima… quem me conhece sabe o medo que tenho de altura, mas tive que tirar essa foto abaixo… nem dá pra ver a cachoeira, mas estou lá no topo dela…

Foi o mais perto da ponta que consegui chegar…

Ainda fora do parque, passei antes de ir embora por dois pontos imperdíveis: o Poço Azul e o Morro do Pai Inácio. Lugares para passar um tempo e tirar belas fotos.

Poço Azul, dá pra fazer snorkeling e almoçar por lá
Do alto do Pai Inácio, vista dos paredões da Chapada Diamantina

Foram dias daqueles que são os meus favoritos: descansar a mente cansando o corpo, desligar-se do mundo por um tempo, conectar-se com a Natureza, que é a minha forma particular de comunhão com o mundo, com a vida. Cada um tem suas preferências, coisas únicas que potencialmente lhe tragam prazer, alegria, paz. Naquelas trilhas, naqueles locais, encontrei meus momentos.

Mesmo para quem não é adepto de caminhadas, há muitos passeios, cachoeiras, trilhas de bicicleta, que podem ser explorados por ali, num dos pontos mais bonitos e mágicos desse Brasil enorme… Está certamente na lista de lugares para onde pretendo voltar… Espero que tenha gostado do post, até uma próxima!


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